-Aqui não há espaço para você. -Gritavam.
Entre desalinhos, com o coração exposto, frio e quente, marcado pelo tempo incontável, doce e só. Entre desalinhos, perdida em mim. Em que lugar começariam tantas linhas? Onde terminariam as entrelinhas? Cadê todos os nós? Mas segui. Pegaram tesouras e tentaram cortar as linhas.
-Você é um perigo! Quer perverter a ordem! Insurgente! - Gritavam então. -Anormal! Antissocial...!
Tentei remedar as linhas; mas, ao ver as tesouras, corri desembalada. Não queria ser arrumadinha. Como poderia permitir que cortassem minhas linhas se, entre elas, eu sou. Mas encontrei outros tantos desalinhados e vi beleza neles.
Haveria tal beleza em mim?
Entre desalinhos, aprenderei, com meu sentimento de mim
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