sábado, 24 de agosto de 2013

Casos da vida

Momento em que você vê alguém que faz seu coração gritar: "Velho, na boa, acho que me apaixonei por você", mas tudo que consegue fazer é abrir a boca e dizer:
-Oi.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A PLEBE E A NOBREZA - Frei Betto

Era uma vez um reino governado por um rei despótico. Sua majestade oprimia os súditos e mandava prender, torturar, assassinar quem lhe fizesse oposição. O reino de terror prolongou-se por 21 anos.
Os plebeus, inconformados, reagiram ao déspota. Provaram que ele estava nu, denunciaram suas atrocidades, ocuparam os caminhos e as praças do reino, até que o rei perdesse a coroa.
Vários ministros do rei deposto ocuparam sucessivamente o trono, sem que as condições econômicas dos súditos conhecessem melhoras. Decidiu-se inclusive mudar a moeda e batizar a nova com um título nobiliárquico: real.
Tal medida, se não trouxe benefícios expressivos à plebe, ao menos reduziu as turbulências que, com frequência, afetavam as finanças da corte.
Ainda insatisfeita, a plebe logrou conduzir ao trono um dos seus. Uma vez coroado, o rei plebeu tratou de combater a fome no reino, facilitar créditos aos súditos, desonerar produtos de primeira necessidade, ao mesmo tempo em que favorecia os negócios de duques, condes e barões, sem atender aos apelos dos servos que labutavam nas terras de extensos feudos e clamavam pelo direito de possuir a própria gleba.
O reino obteve, de fato, sucessivas melhoras com o rei plebeu. Este, porém, aos poucos deixou de dar ouvidos à vassalagem comum e cercou-se de nobres e senhores feudais, de quem escutava conselhos e beneficiava com recursos do tesouro real. Obras suntuosas foram erguidas, devastando matas, poluindo rios e, o mais grave, ameaçando a vida dos primitivos habitantes do reino.
Para assegurar-se no poder, a casa real fez um pacto com todas as estirpes de sangue azul, ainda que muitos tivessem os dedos multiplicados sobre o tesouro real.
Do lado de fora do castelo, os plebeus sentiam-se contemplados por melhorias de vida, viam a miséria se reduzir, tinham até acesso a créditos para adquirirem carruagens próprias.
Porém, uma insatisfação pairava no reino. Os vassalos eram conduzidos ao trabalho em carroças apertadas e pagavam caros reais pelo transporte precário. As escolas quase nada ensinavam além do beabá, e os cuidados com a saúde eram tão inacessíveis quanto as joias da coroa. Em caso de doença, os súditos padeciam, além das dores do mal que os afetava, o descaso da casa real e a inoperância de um SUStema que, com frequência, matava na fila o paciente em busca de cura.
Os plebeus se queixavam. Mas a casa real não dava ouvidos, exceto aos aplausos refletidos nas pesquisas realizadas pelos arautos do reino.
O castelo isolou-se do clamor dos súditos, sobretudo depois que o rei abdicou em favor da rainha. Infestado de crocodilos o fosso em torno, as pontes levadiças foram recolhidas e as audiências com os representantes da plebe canceladas ou, quando muito, concedidas por um afável ministro que quase nenhum poder tinha para mudar o rumo das coisas.
Em meados do ano, a corte promoveu, com grande alarde, os jogos reais. Vieram atletas de todos os recantos do mundo. Arenas magníficas foram construídas em tempo recorde, e o tesouro real fez a alegria e a fortuna de muitos que orçavam um e embolsavam cem.
Foi então que o caldo entornou. A plebe, inconformada com o alto preço dos ingressos e o aumento dos bilhetes de transporte em carroças, ocupou caminhos e praças. Pesou ainda a indignação frente a impunidade dos corruptos e a tentativa de calar os defensores dos direitos dos súditos contra os abusos dos nobres.
A vassalagem queria mais: educação da qualidade à que se oferecia aos filhos da nobreza; saúde assegurada a todos; controle do dragão inflacionário cuja bocarra voltara a vomitar chamas ameaçadoras, capazes de calcinar, em poucos minutos, os parcos reais de que dispunha a plebe.
Então a casa real acordou! Archotes foram acesos no castelo. A rainha, perplexa, buscou conselhos junto ao rei que abdicara. Os preços dos bilhetes de carroças foram logo reduzidos.
Agora, o reino, em meio à turbulência, lembra que o povo existe e detém um poder invencível. O castelo promete abrir o diálogo com representantes da plebe. Príncipes hostis à rainha ameaçam tomar-lhe o trono. Paira no horizonte o perigo de algum déspota se valer do descontentamento popular para, de novo, impor ao reino o regime de terror.
A esperança é que se abram os canais entre a plebe e o trono, o clamor popular encontre ouvidos no castelo, as demandas sejam prontamente atendidas.
Sobretudo, dê a casa real ouvidos à voz dos jovens reinóis que ainda não sabem como transformar sua indignação e revolta em propostas e projetos de uma verdadeira democracia, para que não haja o risco de retornarem ao castelo déspotas corruptos e demagogos, lacaios dos senhores feudais e de casas reais estrangeiras.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Tétis e Peleu - a construção de um amor





Peleu, rei da Ftia uma região da Tessália, foi o pai de Aquiles, grande herói da Guerra de Tróia e o maior guerreiro de todos os tempos. Elegeu Tétis para ser sua esposa, a mais bela entre todas as nereidas, que costumava aparecer completamente nua numa pequena baía deserta da Tessália, cavalgando um golfinho amestrado. Ali, na solidão de uma pequena gruta oculta por espessos arbustos, ela se estendia languidamente para aproveitar a paz de uma sesta para revigorar sua beleza.

Foi ali que Peleu a viu, e ficou logo enfeitiçado. Chegou a dar um passo em sua direção, mas ela simplesmente correu pela areia da praia e foi desaparecer entre as ondas verdes do mar, deixando-o atônito, infeliz para todo o sempre, condenado a amar uma mulher inatingível. Então ele resolveu aconselhar-se com o centauro Quíron, velho mestre que tinha educado a ele e a tantos outros heróis. Quando ouviu o relato de Peleu, concluiu que se tratava de Tétis. Disse Quiron:

- É uma mulher para poucos, meu filho. Até o próprio Zeus a cobiça. Agora, se realmente é essa mulher que desejas, vais ter de provar que és homem suficiente. Ela pode assumir a forma que bem entender: de serpente, de fogo, de tigresa, sendo dessa forma que ela se livra de todos os seus pretendentes. Se achas que é essa a mulher que te fará feliz, espera que ela adormeça e põe toda a tua vida num abraço definitivo. Aconteça o que acontecer, não fraquejes, e ela acabará sendo tua.

Peleu não vacilou. Foi esconder-se entre os arbustos que escondiam a entrada da caverna. Quando a nereida adormeceu ao meio-dia, ele saltou sobre ela e enlaçou-a com seus braços poderosos, puxando-a contra o peito. Ela transformou-se numa fogueira, mas ele aguentou a queimadura. Como serpente ela o picou várias vezes, mas ele não a soltou. Então ela virou uma tigresa feroz e ele defendeu-se como pode de suas garras afiadas. Por fim, vencida, ela voltou à sua forma natural, aninhando-se junto ao peito daquele que seria seu marido.

Peleu ficou muito grato à Quíron, não sabendo que o velho centauro dava o mesmo conselho a todos seus discípulos, porque toda mulher tem um pouco de Tétis: quando assustada, pode queimar e ferir, mas se o seu homem a envolver num abraço verdadeiro e absoluto, sem nada pedir ou perguntar, em pouco tempo ela voltará à forma com que o conquistou.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

“Caso esteja se sentindo muito só, caso seu coração ainda seja puro, caso seus olhos ainda conservem o deslumbramento de uma criança, você descobrirá, enquanto lê estas palavras, que estrelas lhe sorriem e que você poderá ouvi-las como se fossem 500 milhões de sinos” O retorno do Jovem Príncipe.

domingo, 18 de agosto de 2013

O caçador de pipas

“Ela disse: ‘Estou com tanto medo...’ e eu perguntei ‘Por quê’ aí ela respondeu: ‘Porque estou profundamente feliz Dr. Rasul. E uma felicidade assim é assustadora’. Voltei a perguntar por quê, e ela prosseguiu: ‘Só permitem que alguém seja tão feliz se estão se preparando para lhe tirar algo” O caçador de pipas

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quais são as suas cartas?

" A ordem das cartas que determina o futuro é feita pelas mãos daquele que vive o presente. O seu destino é você." Jú Neris

Calma... é só medo

Aos meus caros estranhos,
          Calma, é só medo... isso mesmo, aquele sentimento estranho que o homem das cavernas adquiriu para se manter longe de possíveis perigos. Vamos lá, respire lenta e calmamente. É só medo.
          O desconhecido nos assusta, porque geralmente foge ao nosso controle. Oxigene o cérebro, pense, permita-se sentir, mas seja forte para dar o primeiro passo na direção certa e superá-la. Temer, tremer, é normal... Não é a ausência de medo que cria um corajoso, é a sua capacidade de enfrentar o medo, de mostrar que há coisas muito maiores e melhores do que ele.
           Por isso respire, sinta, aprenda com ele e vá. Abra as asas e saia da prisão chamada "medo", ele só é um pedra no caminho, mais uma limitação entre tantas outras que podem ser superadas, só depende de você.
           Há pessoas que tropeçam em pedras do caminho, enquanto outras recolhem-nas para fazer com elas o seu castelo. Que tipo de pessoa você gostaria de ser?

Da sua amiga, Jú.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Novo conto em www.apenasminhasrazoes.blogspot.com. Espero que gostem, caros estranhos.

Em homenagem às Olimpíadas e à copa


Amor e medo

"Estou te amando e não percebo,
Porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
Mas te amando tanto
Que nem a mim mesmo
Revelo este segredo" Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sorrir é essencial


Fazer do verbo "viver" valer a pena

"Com verdades semelhantes a esta de que temos todos que morrer e que, por conseguinte, tudo é igual, é que convertemos a vida a algo monótono e estúpido. Dessa forma teremos de renunciar a tudo, ao espírito, às aspirações; teremos de destruir a humanidade, teremos de permitir que reine o egoísmo e o dinheiro e esperar a próxima guerra com um copo de cerveja à mão" O Lobo da Estepe

domingo, 11 de agosto de 2013

"O amor é complexo, não pode ser reduzida a fórmulas como as matemáticas ou a outros teoremas de grandes sábios. O amor é simples, só exige de quem o sente os graus certos de carinho, respeito e compreensão. O amor não é cego, ele só prefere não ver algumas vezes. O amor é estúpido, mas ele é sentido por nós, então seria muito difícil ser de outra forma. Ou seremos nós que nos tornamos estúpidos ao amar? Só há uma forma de saber: amando. Do nosso jeito humano e torto, mas do nosso jeito. Bom dia dos pais a todos. É uma boa oportunidade de demonstrar um pouco de amor, não a percam ;) ..."

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

E você?

"Eu não me acho muito bonita, embora também creio que não seja feia. Não sou sexy, nem tão inteligente, mesmo que alguns acreditem que eu sou. Não sou perfeitinha, choro com filmes bobos e sou apegada a algumas tradições, porque tudo é tão efêmero e inconstante que apegar-me a elas é um tipo de consolo. Odeio aranhas e cobras, assim como odeio e não entendo como algumas pessoas simplesmente gostam ou não se importam em fazer mal a outras.
Costumo chamar pessoas que tenho muito carinho de "chato", pois não gosto de dar o braço a torcer e muitas vezes tenho vergonha de demonstrar o que sinto. Na verdade, nem ao menos entendo como uma pessoa pode ter tanta vergonha de demonstrar carinho. Não sei admirar alguém, quando acontece fico cheia de dedos, me sinto estranha, faço tudo errado, ou ainda mais errado, se é que é possível. 
Sou inquieta, talvez tenha déficit de atenção e hiperatividade, o que faz com que eu seja irritante. Às vezes, meu coração aperta e eu não sei  motivo.
Tenho medo de não ser boa o suficiente. Odeio não saber o que fazer. Me magoa não poder ajudar as pessoas.
Adoro abraços, daqueles bem apertados que parecem abrigar você. Adoro cheiros gostosos e como eles conseguem ficar gravados na memória, como lembranças. Já tive medo do escuro, mas hoje tenho medo da escuridão dentro das pessoas. Sei que meus olhos brilham quando vejo alguém que gosto verdadeiramente. Odeio chorar, porque quando começo parece que não vai acabar nunca.
Nem sempre tenho as palavras certas...
E você?"

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O lado certo de cada um...

"De repente, a vida te vira do avesso e você percebe que o avesso é o lado certo" Desconhecido

terça-feira, 6 de agosto de 2013

É muito difícil ver quem se ama indo embora, mas amor é isso também, permitir que o outro vá para longe atrás da própria felicidade. Não é fácil, vai doer, mas se for amor, você perceberá que valeu a pena.
Vá, mas não esqueça o caminho de volta.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Carta de suicídio de Virgínia Woolf

"Enfim, o que quero dizer é que é a você que devo toda a minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isso - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, esse alguém seria você. Tudo se foi para mim, mas o que ficará é a certeza da sua bondade sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos"

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Attravesiamo

"Quatro pés no chão, uma cabeça cheia de folhagem, olhar para o mundo através do coração" Comer, Rezar e Amar